- Joana Lavôr
Foi aí então,
o então que define o antes e o depois.
Foi alí então que Otávio transferiu seu observatório-si.
Mesmo que então por hora,
Otávio pôde sair da casca
e olhar
por raios azuis, azulões,
azuis e brancos, de onde ela vinha?
Parado frente ao vidro, Otávio
sentiu então
Foi aí então,
o então que define o antes e o depois.
Foi alí então que Otávio transferiu seu observatório-si.
Mesmo que então por hora,
Otávio pôde sair da casca
e olhar
por raios azuis, azulões,
azuis e brancos, de onde ela vinha?
Parado frente ao vidro, Otávio
sentiu então
gostaria de sentir.
Sentir saber?
Saber sentir?
Pensava em ideia alguma para o filme,
latejava-lhe o sonho, e então a boca já encosta na lente,
Otávio, ela já começa a te olhar.
Otávio, meiga como é, já está a se perguntar.
Quem estatelado no vidro?
Otávio, abaixe essa câmera.
Atravesse o vidro e toque sua face crua.
Ela cai o rosto devagar e dócil
- quer teus lábios por utopia.
Você vai mesmo embora, Otávio?
Atravesse o vidro.
E então, Otávio, que olhe para aqueles olhos azulões,
é para sentir a textura de sua pele e o calor
que a câmera, Otávio,
não sabe registrar.
Sentir saber?
Saber sentir?
Pensava em ideia alguma para o filme,
latejava-lhe o sonho, e então a boca já encosta na lente,
Otávio, ela já começa a te olhar.
Otávio, meiga como é, já está a se perguntar.
Quem estatelado no vidro?
Otávio, abaixe essa câmera.
Atravesse o vidro e toque sua face crua.
Ela cai o rosto devagar e dócil
- quer teus lábios por utopia.
Você vai mesmo embora, Otávio?
Atravesse o vidro.
E então, Otávio, que olhe para aqueles olhos azulões,
é para sentir a textura de sua pele e o calor
que a câmera, Otávio,
não sabe registrar.