- Joana Lavôr
Enquanto
O piano pinta
as mais firmes representações de beleza,
o violino tece
a calma
por angústias múltiplas
que se querem para acalmar este peito.
Enquanto
o vento grita
anunciando o que há,
por constantes monotons,
ali está o meu menino,
listras-sorriso,
a contar pintas de um cogumelo.
Tantas cores uivantes flertando com os olhos,
mas lê-se o branco.
Enquanto as suas frações de terror terminam
em sossego,
lá está o condor ancião
que acompanha
a perguntar:
- O que é que querem?
Enquanto o rapaz se delicia em um mergulho
entre nuvens e papéis,
a moça fita-lhe a nuca
sem sequer perceber seus olhos de ficção.
Será que o violino também conta
traições e egoísmos
dos quais só o vácuo tem notícia?
Não duvido que o vento seja só vínculo.
O que ele nos traz aos ouvidos senão
o mundo acontecendo?