February 2012
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La verdadera novedad es lo que no envejece, pese al tiempo. La contemplación de la eternidad en el movimiento mismo de la vida.
- Muriel Barbery - La elegancia del erizo
Melancholy overwhelms me, at supersonic speed.
- Muriel Barbery, The Elegance of the Hedgehog
Au fond, nous sommes programmés pour croire à ce qui n’existe pas, parce que nous sommes des êtres vivants qui ne veulent pas souffrir. Alors nous dépensons toutes nos forces à nous convaincre qu’il y a des choses qui en valent la peine et que c’est pour ça que la vie a un sens.
- Muriel Barbery - L’élégance du hérisson
Sonata - Érico Veríssimo
A história que vou contar não tem a rigor um princípio, um meio e um fim. O Tempo é um rio sem nascentes a correr incessantemente para a Eternidade, mas bem se pode dar que em inesperados trechos de seu curso o nosso barco se afaste da correnteza, derivando para algum braço morto feito de antigas águas ficadas, e só Deus sabe o que então nos poderá acontecer. No entanto, para facilitar a...
December 2011
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She was
Camille
When she was home she was a swan when she was out she was a tiger and a tiger in the wild is not tied to anyone
when she was lost she was a toad the day I found her on the road I gave her water and a rose and as she stretched the sun rose
go go go away
when she was young she was a cow and all day long she milked the stars she taught me women to survive must be unfaithful to their child...
Da lagoa da Estaca a Apolinário
- João Cabral de Melo Neto
Sempre pensara em ir caminho do mar. Para os bichos e rios nascer já é caminhar. Eu não sei o que os rios têm de homem do mar; sei que se sente o mesmo e exigente chamar. Eu já nasci descendo a serra que se diz do Jacarará, entre caraibeiras de que só sei por ouvir contar (pois, também como gente, não consigo me lembrar dessas primeiras léguas de meu caminhar). Deste...
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Amor
- Clarice Lispector
Um pouco cansada, com as compras deformando o novo saco de tricô, Ana subiu no bonde. Depositou o volume no colo e o bonde começou a andar. Recostou-se então no banco procurando conforto, num suspiro de meia satisfação. Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A...
Quieta, silenciosa, transitando lentamente pela casa, habitando o por dentro...
– Marla de Queiroz
Je réclame des films fantasmagoriques, des films poétiques, au sens dense,...
– Antonin Artaud (via erinaa)
Guerra sem Testemunhas - Osman Lins
Achava belo, a essa época, ouvir um poeta dizer que escrevia pela mesma razão por que uma árvore dá frutos. Só bem mais tarde viera a descobrir ser um embuste aquela afetação: que o homem, por força, distinguia-se das árvores, cabendo-lhes escolher os que havia de dar, além de investigar a quem se destinavam, nem sempre oferecendo-os maduros, e sim podres, e até envenenados.
November 2011
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Trechos de Perto do Coração Selvagem
- Clarice Lispector
Um carro azul atravessava o corpo de Aríete, matava-a. Depois vinha a fada e a filha vivia de novo. A filha, a fada, o carro azul não eram senão Joana, do contrário seria pau a brincadeira. Sempre arranjava um jeito de se colocar no papel principal exatamente quando os acontecimentos iluminavam uma ou outra figura. Trabalhava séria, calada, os braços ao longo do corpo....
Quelque chose est en train d’arriver. On peut compter dans une vie les minutes...
– Simone de Beauvoir, L’Amerique au jour le jour, page 11. (via beauvoiriana)
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Daguerreotype Taken in Old Age
- Margaret Atwood
I know I change have changed but whose is this vapid face pitted and vast, rotund suspended in empty paper as though in a telescope the granular moon I rise from my chair pulling against gravity I turn away and go out into the garden I revolve among the vegetables, my head ponderous reflecting the sun in shadows from the pocked ravines cut in my cheeks, my eye- sockets 2...
Otávio viu
- Joana Lavôr Foi aí então, o então que define o antes e o depois. Foi alí então que Otávio transferiu seu observatório-si. Mesmo que então por hora, Otávio pôde sair da casca e olhar por raios azuis, azulões, azuis e brancos, de onde ela vinha? Parado frente ao vidro, Otávio sentiu então
gostaria de sentir. Sentir saber? Saber sentir? Pensava em ideia alguma para o filme, latejava-lhe o sonho,...
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(...) - início
Suspeito que na iminência real de descrever um montão de sensações vibrantes e novas, querendo dizer muito sobre, não haja muitas palavras capazes de preenchê-la. Estes raios azuis e brancos se contam por mistura de creme com especiarias. Suas buscas latejantes se esparramam imediatamente em qualquer tabuleiro que se coloque à sua frente. Seu nome. Bom, não o revelo. Não ainda. Não há nada que...
Casimiro de Abreu
Se eu soubesse que no mundo Existia um coração, Que só por mim palpitasse De amor em terna expansão; Do peito calara as mágoas, Bem feliz eu era então! Se essa mulher fosse linda Como os anjos lindos são, Se tivesse quinze anos, Se fosse rosa em botão, Se inda brincasse inocente Descuidosa no gazão; Se tivesse a tez morena, Os olhos com expressão, Negros, negros, que matassem, Que...
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Le jet d'eau
- Charles Baudelaire Tex beaux yeux sont las, pauvre amante! Reste longtemps, sans les rouvrir, Dans cette pose nonchalante Où t’a surprise le plaisir. Dans la cour le jet d’eau qui jase Et ne se tait ni nuit ni jour, Entretient doucement l’extase Où ce soir m’a plongé l’amour. La gerbe épanouie En mille fleurs, Où Phoebé...
Go without a coat when it’s cold; find out what cold is. Go hungry; keep your...
– Henry Rollins via Jimi Axelsson
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A Party Of Lovers
- John Keats
Pensive they sit, and roll their languid eyes, Nibble their toast, and cool their tea with sighs, Or else forget the purpose of the night, Forget their tea — forget their appetite. See with cross’d arms they sit — ah! happy crew, The fire is going out and no one rings For coals, and therefore no coals Betty brings. A fly is in the milk-pot — must he die By...
October 2011
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La courbe de tes yeux
- Paul Eluard La courbe de tes yeux fait le tour de mon cœur, Un rond de danse et de douceur, Auréole du temps, berceau nocturne et sûr, Et si je ne sais plus tout ce que j’ai vécu C’est que tes yeux ne m’ont pas toujours vu. Feuilles de jour et mousse de rosée, Roseaux du vent, sourires parfumés, Ailes couvrant le monde de lumière, Bateaux chargés du ciel et de la mer,...
Apontamento
- Fernando Pessoa
A minha alma partiu-se como um vaso vazio. Caiu pela escada excessivamente abaixo. Caiu das mãos da criada descuidada. Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.
Asneira? Impossível? Sei lá! Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu. Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.
Fiz barulho na queda como um vaso que se partia. Os...
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Enquanto o vento conta
- Joana Lavôr Enquanto O piano pinta as mais firmes representações de beleza, o violino tece a calma por angústias múltiplas que se querem para acalmar este peito. Enquanto o vento grita anunciando o que há, por constantes monotons, ali está o meu menino, listras-sorriso, a contar pintas de um cogumelo. Tantas cores uivantes flertando com os olhos, mas lê-se o...
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Viagem
- Bernadette Lyra Pelos meus dedos molhados escorrem largos oceanos. Pelos meus dedos azuis desfilam navios esquálidos. Meus dedos estão cansados por isto, já nem se fecham: portos vagos abrem-se e deixam partirem todos os sonhos. Os sonhos vão como mortos em seus esquifes marinhos nos corpos sem consistência pousam anêmonas. Os rostos entre...